TESTE DO PEZINHODoenças Lisossômicas de Deposito


As doenças lisossômicas de depósito (DLDs) são um grupo de cerca de 50 condições genéticas nas quais ocorre um defeito na função lisossomal e se caracterizam pelo acúmulo de substratos normalmente degradados nos lisossomos (causando disfunção celular e metabólica). Elas podem ocasionar uma variedade de complicações, incluindo anormalidades ósseas, organomegalia, disfunção do sistema nervoso central, levando, em sua maioria, a comprometimento sistêmico grave. As DLDs são condições progressivas, sendo usualmente assintomáticas ao nascimento.
Neste momento é oferecida a identificação de quatro doenças: Doença de Gaucher, Doença de Pompe, Doença de Fabry e MPS tipo I (Doença de Hurler). Apesar de assintomáticas ao nascimento, os achados clínicos das doenças lisossomais se tornam em geral aparentes na infância, e na maioria das vezes têm manifestações graves, que levam a morbidade elevada e expectativa de vida reduzida. Ainda que individualmente raras, a prevalência das DLDs é significativa quando consideradas em conjunto (cerca de 1:4.000 a 1:9.000 nascidos vivos). Várias estratégias de manejo, incluindo transplante de medula óssea, terapia de reposição enzimática, terapia com inibição de susbstrato, chaperonas farmacológicas e várias outras abordagens estão transformando as DLDs em condições tratáveis.
Na Triagem Neonatal, as doenças lisossômicas de depósito podem ser solicitadas em conjunto ou isoladamente, junto a qualquer perfil de Teste do Pezinho CTN.

DOENÇA DE GAUCHER

É uma doença genética autossômica recessiva, sendo a mais comum das doenças lisossômicas de depósito. É causada pela deficiência da enzima beta-glicosidase. Os principais sintomas são aumento do fígado, baço e rins e dores ósseas. A doença pode apresentar 3 formas clínicas. A mais comum é a do tipo 1, ou não neuropática, é a mais frequente e corresponde a aproximadamente 95% dos casos de Gaucher. O Tipo 2 – ou forma neuropática aguda – apresenta quadro neurológico grave, com múltiplas convulsões, hipertonia e retardo mental progressivo. Geralmente a evolução é rápida e pode levar ao óbito já nos primeiros anos de vida, muitas vezes, pelo envolvimento pulmonar. Já o Tipo 3 ou forma neuropática crônica é a menos severa. O diagnóstico da doença pode ser feito através da dosagem da atividade da enzima beta-glicosidase em amostra de sangue em papel-filtro. O tratamento disponível é através de reposição enzimática.

DOENÇA DE POMPE

Também conhecida como Glicogenose tipo II, é uma doença autossômica recessiva e classificada como doença lisossômica de depósito. É associada à cardiomegalia e hipotonia muscular, e classificada de acordo com a idade em que os sintomas se manifestam: infantil, juvenil ou adulta. Na forma infantil, que é a mais severa e que pode levar ao óbito, o paciente apresenta fraqueza muscular e respiratória, aumento do coração e fígado, problemas no desenvolvimento psicomotor, cardíacos e respiratórios. A forma adulta é mais branda e a juvenil é intermediária entre as duas anteriores. O diagnóstico é feito através da dosagem da atividade da enzima alfa-glicosidase em amostra de sangue em papel-filtro. O tratamento é realizado através de terapia de reposição enzimática.

DOENÇA DE FABRY

É uma doença de depósito lisossômico de herança ligada ao X, causada pela mutação no gene GLA, responsável pela síntese da enzima alfa-galactosidase A, normalmente presente no lisossomo. A deficiência de alfa-galactosidase nos lisossomos de pacientes com a doença de Fabry resulta no acúmulo progressivo do Gb3 (globotriaosilceramida) nas células de muitos sistemas orgânicos. Os sintomas começam na infância, mas de difícil identificação devido a apresentação muito inespecífica da doença. São típicas a dor e parestesias, hipodrose, febre recorrente, angioqueratomas e opacidade da córnea. Mais tarde, apesar da inteligência preservada, há o comprometimento dos vasos sanguíneos de diversos órgãos, o que pode levar a morte através de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral. O diagnóstico é feito através da dosagem da atividade da enzima alfa-galactosidase em amostra de sangue em papel-filtro. O tratamento é realizado através de terapia de reposição enzimática.

Mucopolissacaridose tipo I (DOENÇA DE HURLER)

Mucopolissacaridose tipo I (MPS I) ou Síndrome de Hurler é uma doença metabólica, de herança autossômica recessiva, caracterizada pela falta da enzima α-L-iduronidase resultando no acúmulo de longas moléculas de açúcar (mucopolissacarídeos, glicosaminoglicanos ou GAGs). Estas moléculas são encontradas em todas partes do corpo que precisam de lubrificação, como no líquido sinovial e no líquido cefalorraquidiano. Sem a enzima para reciclá-los, os glicosaminoglicanos acumulam-se nos órgãos, incluindo no coração e cérebro, e causam danos progressivos. Os sintomas se agravam a cada ano e incluem complicações respiratórias, opacidade da córnea, problemas de audição, menor estatura, problemas cardíacos e articulares, atraso intelectual, deformidades ósseas, entre outros.
O tratamento é realizado através de terapia de reposição enzimática, transplante de medula óssea, transfusão de sangue do cordão umbilical e cirurgias isoladas.