TESTE DO PEZINHO Teste do Pezinho CTN


Determinação: IgM anti-Treponema pallidum 

NOME: Sífilis ou lues. 

CONCEITO: A sífilis congênita é uma infecção causada pela disseminação hematológica do Treponema pallidum da gestante para o feto via transplacentária, ou durante o parto através de contato com lesões vaginais. A transmissão materna pode ocorrer em qualquer fase gestacional. A transmissão vertical da sífilis em mulheres não tratadas é de 70% a 100% durante os primeiros 4 anos em que a doença é adquirida, e ocorre morte perinatal em 40% das crianças infectadas. 

IDADE DE APARECIMENTO DOS SINTOMAS: A sífilis congênita apresenta dois estágios: precoce, quando as manifestações clínicas são diagnosticadas até o segundo ano de vida; e, tardia, quando as manifestações clínicas são diagnosticadas após este período. 

SINTOMAS CLÍNICOS: Quando a mulher adquire sífilis durante a gestação, esta pode evoluir para aborto, morte fetal, prematuridade, feto hidrópico, recém-nascidos sintomáticos (manifestação clássica), recém-nascidos assintomáticos (apenas sorologia positiva). A contaminação do feto está na dependência do estágio da doença na gestante: quanto mais recente a infecção materna, mais treponemas estarão circulantes e, portanto, mais severo será o comprometimento fetal. 

ETIOLOGIA: O agente etiológico da sífilis é o Treponema pallidum, o qual é delgado, espiralado e unicelular. Possui uma camada mucóide que, presumivelmente, o protege contra a resposta imune do hospedeiro. Os órgãos de predileção do T. pallidum são a pele, os ossos, os órgãos hematopoiéticos, os rins e o fígado. 

PATOGÊNESE: Até os dois anos de vida: baixo peso, rinite purulenta/coriza, obstrução nasal, prematuridade, osteocondrite, periostite ou osteíte, choro ao manuseio, fissura peribucal, hepatoesplenomegalia, alterações respiratórias, pneumonia, icterícia, anemia severa, hidropsia, edema, pseudoparalisia dos membros, condiloma plano e os sinais mais característicos que são pênfigo palmoplantar e ossos. A partir dos dois anos de vida, os principais sintomas são: tíbia em lâmina de sabre, fronte olímpica, nariz em sela, dentes incisivos medianos superiores deformados, mandíbula curta, arco palatino elevado, ceratite intersticial, surdez neurológica, dificuldade de aprendizado. 

DIAGNÓSTICO: O diagnóstico sorológico da sífilis pode ser dividido em testes não-treponêmicos e testes treponêmicos. Nos testes não-treponêmicos, nos quais as reações têm por base o uso de cardiolipina como antígeno, detectam-se anticorpos denominados reaginas. A cardiolipina é de especifidade limitada, porém apresenta alta sensibilidade, custo reduzido e simplicidade de execução dos testes. Os testes reagínicos são considerados como os melhores exames de triagem na população geral e na suspeita de sífilis primária ou secundária. Dentre os testes não-treponêmicos clássicos, podemos citar o VDRL e o RPR. Para determinação e quantificação de anticorpos antitreponema, os testes treponêmicos são indicados por apresentarem elevados níveis de sensibilidade e especificidade. Alguns dos testes treponêmicos realizados para detecção da sífilis são os seguintes: reação de hemaglutinação passiva (TPHA), teste de imunofluorescência (FTA-ABS), teste imunoenzimático (ELISA com captura de IgM) e teste de aglutinação de partículas de gelatina. Como para outras infecções congênitas, a pesquisa de anticorpos IgM no recém-nascido, oferecido no teste do pezinho, é de grande valor para o diagnóstico da sífilis congênita. 

FREQUÊNCIA: De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência da sífilis na gestação pode chegar a 4%. Estima-se que a sífilis congênita atinja em média 5,5 de cada 1.000 recém-nascidos vivos. Dados do CTN, com amostras recebidas até dezembro de 2011, indicam 1 caso positivo de Sífilis congênita para cada 1.346 nascidos.

PREVENÇÃO: Antes da gravidez: uso regular de preservativos, redução do número de parceiros sexuais, diagnóstico precoce nas mulheres e em seus parceiros, realização do teste não-treponêmico quantitativo em mulheres que manifestam intenção de engravidar, tratamento imediato de casos diagnosticados. Antes da gestação , a doença é facilmente previnível, bastando que a mulher infectada seja diagnosticada e prontamente tratada, assim como seus parceiros sexuais. 

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL: Pode ser feita pela pesquisa de anticorpos IgM ou do próprio treponema em líquido amnótico. Como as gestantes infectadas nos primeiros quatro meses de gestação e devidamente tratadas têm grande chance de não transmitirem a infecção para o feto, torna-se evidente a necessidade e importância da realização do exame pré-natal adequado, já que a doença é facilmente tratável. Toda a gestante, ao realizar o exame pré-natal, deve ser submetida a um teste de triagem para sífilis (teste não- treponêmico). Este teste deve ser realizado no primeiro trimestre de gestação e repetido no último. Se necessário, realizar um teste treponêmico para confirmar o diagnóstico.

TRATAMENTO: O fármaco de escolha para o tratamento da sífilis é a penicilina. As pessoas alérgicas podem ser dessensibilizadas, ou então, tratadas com eritromicina. As tetraciclinas e o estolato de eritromicina não devem ser empregados na gestação. É considerado tratamento inadequado para sífilis materna a aplicação de qualquer terapia não penicilínica ou penicilínica incompleta, ou instituição do tratamento dentro dos 30 dias anteriores ao parto. Caso o tratamento seja interrompido um dia, o mesmo deve ser reinicializado. 

PROGNÓSTICO: Em geral muito bom, mas depende das seqüelas apresentadas pelo recém-nascido. 

REFERÊNCIAS:
Araújo EC, Moura EFA, Ramos FLP e Holanda VGDA.nn Sífilis Congênita: incidência em recém-nascidos. Jornal de Pediatria, 75 (2): 119-125. 1999. 

Ferreira AW, Ávila SL. Diagnóstico Laboratorial das Principais Doenças Infecciosas e Auto-Imunes. Afiliada. 1ª ed., p. 127-132, 1996. 

Tramont EC. Treponema pallidum (Syphilis). In: ___Infectious Diseases and Etiologic Agents. Wosby:2117-2133. 1997.



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