TESTE DO PEZINHO Teste do Pezinho CTN


Determinação: Anticorpos totais anti-Trypanosoma cruzi 

NOME: Doença de Chagas congênita. 

CONCEITO: É uma doença causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

IDADE DE APARECIMENTO DOS SINTOMAS: Os recém-nascidos com infecção chagásica congênita podem apresentar sinais clínicos desde o nascimento, ou podem passar assintomáticos por vários anos. Embora assintomática, a criança infectada pelo Trypanosoma cruzi pode apresentar alterações muito discretas ao exame clínico e não valorizadas como sinal de infecção. 

SINTOMAS CLÍNICOS: Os principais sinais e sintomas que podem se manifestar no nascimento incluem anemia, cianose, icterícia, lesões purpúricas, edema, tremores, convulsões e hepatoesplenomegalia. Em geral, estes recém-nascidos são prematuros e pequenos para a idade gestacional. 

COMPLICAÇÕES: No recém-nascido, as lesões observadas são, de um modo geral, semelhantes às da fase aguda não congênita e estão diretamente relacionadas ao parasitismo nos tecidos. Contudo, têm sido registradas, no período neonatal, manifestações neurológicas e digestivas, tais como megaesôfago e retardo mental, que eram descritas apenas na forma crônica da doença não congênita. Essas manifestações são consideradas como seqüelas do processo infeccioso agudo. Certamente ocorrem mais precocemente na forma congênita devido à ação lesiva do parasita num organismo imaturo. 

ETIOLOGIA: Esta patologia é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, transmitido pelo inseto Triatoma infestans. Seu ciclo de vida ocorre no hospedeiro intermediário e no hospedeiro definitivo, que incluem o homem e animais domésticos e silvestres. 

PATOGÊNESE: A transmissão congênita da doença de Chagas ocorre, principalmente, por via hematogênica através da placenta. Como em outras infecções, há também a possibilidade de haver transmissão hematogênica através das membranas extraplacentárias, com posterior contaminação do líquido amniótico. Os órgãos mais envolvidos são o coração, o sistema nervoso central, o trato digestivo, a pele, o músculo esquelético e os pulmões. É importante salientar que pode ocorrer transmissão da doença de Chagas em qualquer fase da gestação, e que não há relação entre a transmissão congênita da doença e a intensidade da parasitemia. 

DIAGNÓSTICO: Pode ser clínico, sempre confirmado por testes laboratoriais. 

FREQUÊNCIA: estudos de prevalência entre gestantes na América do Sul, demonstram percentuais que variam de 2 a 51% em centros urbanos e 23 a 81% em áreas endêmicas. Avaliações sobre a transmissão via placentária da doença de Chagas no Brasil mostraram variações de 1,6 a 10,5% de acordo com as regiões estudadas. A prevalência mais alta é observada nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Sergipe e Bahia. Dados do CTN, com amostras recebidas até dezembro de 2011, indicam 1 caso positivo de doença de Chagas congênita para cada 945 nascidos.

PREVENÇÃO: O combate aos triatomídeos e a melhoria das condições de vida da população são fatores que, diminuindo a possibilidade de infecção materna, contribuem a longo prazo para a prevenção da infecção congênita pelo T. cruzi. O tratamento das mulheres sorologicamente positivas e em idade fértil, no sentido de diminuir ou suprimir a parasitemia e evitar a transmissão, não é uma atitude recomendável, porque não se conhece ainda a ação destas drogas no embrião e no feto. Se, contudo, a gestante estiver na fase aguda de sua infecção justifica-se o tratamento, mas a mesma deve ser informada sobre a gravidade de sua doença e sobre os possíveis efeitos lesivos do tratamento sobre o feto. 

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL: É possível através de testes de biologia molecular em líquido amniótico e/ou sangue fetal. 

TRATAMENTO: O tratamento deve ser efetuado com a criança hospitalizada, pelo menos na fase inicial, tendo-se cuidados especiais de acordo com o quadro clínico apresentado e, especialmente, com os recém-nascidos de baixo peso. O tratamento específico para a doença de Chagas é realizado com nifurtimox e benzonidazol. Os resultados do tratamento dependem da idade em que se inicia o tratamento. Sabe-se que quando iniciado antes dos seis meses os exames sorológicos e parasitológicos tornam-se negativos. 

PROGNÓSTICO: A evolução da criança com infecção congênita depende do estado geral em que se encontra, intensidade da parasitemia e das medidas terapêuticas empregadas. Os recém-nascidos a termo têm melhor prognóstico, principalmente quando nascem sem sintomatologia. Quando a sintomatologia está presente ao nascimento, a mortalidade é de cerca de 50% e pode elevar-se para 70% entre prematuros. 

OBSERVAÇÕES: Importante salientar que a mulher, na fase aguda da doença, antes de negativar sua parasitemia pelo tratamento, não deve amamentar.

REFERÊNCIAS:
Freilij H, Altcheh J. Congenital Chagas' Disease: Diagnostic and Clinical Aspects. Clinical Infectious Disease, 21:551-555. 1995. 

Reiche EMV, Inouye MMZ, Bonametti AM and Jankevicius JV. Doença de Chagas Congênita: epidemiologia, diagnóstico laboratorial, prognóstico e tratamento. Jornal de Pediatria, 72 (3): 125-132. 1996. 



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