TESTE DO PEZINHO Teste do Pezinho CTN


Determinações: anticorpos anti-HIV 1 e 2

NOME: Vírus da imunodeficiência humana (HIV), agente etiológico da Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS, ou SIDA). 

CONCEITO: A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) é causada pela infecção pelos vírus HIV-1 ou HIV-2, adquirida por via sexual, transfusão com sangue infectado, uso de drogas com seringas ou agulhas contaminadas. Pode também ser transmitida ao feto pela gestante infectada, através da amamentação. O vírus atinge o sistema imunológico do paciente, particularmente os linfócitos T, tornando-os mais suscetíveis a infecções. 

IDADE DE APARECIMENTO DOS SINTOMAS: O período transcorrido entre a infecção e o início das manifestações clínicas é em média de 10 anos. No caso de crianças, os sintomas aparecem nos primeiros anos de vida. 

COMPLICAÇÕES: Com a evolução da doença e a conseqüente perda da capacidade imunológica, o indivíduo torna-se suscetível a infecções oportunistas como: pneumonia, tuberculose, meningite, diarréia crônica, toxoplasmose, encefalopatias e demência, citomegalovirose, candidíase, sarcoma de Kaposi, linfoma não-Hodkin e carcinomas. A evolução para um quadro letal ocorre na grande maioria dos casos. 

SINTOMAS CLÍNICOS: A infecção pelo HIV resulta em uma doença crônica e progressiva. No período entre a infecção e o surgimento dos sintomas, em geral, o indivíduo é potencialmente transmissor da doença. A soroconversão ocorre 3 a 14 semanas após a exposição. Os sinais e sintomas da infecção pelo HIV incluem febre, mal-estar, letargia, artralgia, mialgia, dor de cabeça, náuseas, anorexia, faringite, linfoadenopatia, ulceração mucocutânea, vômitos, diarréia, perda de peso, leucoplasia e monilíase oral. 

ETIOLOGIA: O HIV pertence à família dos retrovírus, que são vírus RNA caracterizados por possuírem a enzima transcriptase reversa, que transcreve o RNA viral em DNA proviral. Foram descritos 2 tipos de HIV: HIV-1 e HIV-2. O HIV-1 está presente em amostras de pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). O HIV-2 apresenta potencial patogênico e transmissibilidade inferiores ao apresentado pelo HIV-1. Geralmente, os indivíduos infectados com o HIV-2 possuem uma sobrevida mais longa. 

PATOGÊNESE: O período subclínico e a posterior imunodeficiência severa, características da infecção pelo HIV, resultam da deficiência progressiva qualitativa e quantitativa dos linfócitos T. O vírus ao alcançar a corrente sangüínea atinge o tecido linfóide, onde ele se replica atingindo níveis críticos e levando ao processo de viremia. Em pouco tempo, é criado um balanço dinâmico entre o vírus e o hospedeiro, caracterizado por extraordinárias taxas de replicação viral e rápida destruição das células CD4. 

DIAGNÓSTICO: As técnicas para detecção de anticorpos anti-HIV não diferem fundamentalmente dos recursos laboratoriais empregados para outras doenças virais. O diagnóstico de infecção pelo HIV em recém-nascidos e crianças é especialmente complicado pela transferência passiva de anticorpos maternos e pela necessidade de medidas terapêutico-preventivas. Os anticorpos anti-HIV avaliados pela maioria dos métodos são imunoglobulinas das classes G, que atravessa a placenta, e M, que não atravessa a placenta. Assim, a positividade para o anticorpo anti-HIV numa criança com idade inferior a 18 meses pode indicar infecção materna, mas não é diagnóstico de infecção na criança, devendo ser realizados testes mais específicos para detectar a presença do vírus. 

FREQUÊNCIA: Estima-se que 0,5 a 2,0% dos recém-nascidos no Brasil são portadores do vírus.

PREVENÇÃO: As medidas recomendadas para prevenir a infecção pelo HIV incluem, entre outras: redução do número de parceiros sexuais, uso regular de preservativos, uso de agulhas e seringas descartáveis, evitar contato íntimo com secreções corporais infectadas. As gestantes portadoras do vírus devem ser orientadas a fazer uso de medidas terapêutico-preventivas, a fim de evitar a transmissão materno-fetal do HIV. Os recém-nascidos com sorologia positiva devem também ser submetidos à terapia anti-viral de modo a reduzir o risco de desenvolver a AIDS. 

DETECÇÃO DE PORTADORES ASSINTOMÁTICOS: Indivíduos infectados podem ser detectados pela presença de anticorpos específicos na circulação sangüínea, seguida de métodos confirmatórios. 

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL: Atualmente cerca de 90% das mulheres infectadas pelo HIV estão em idade reprodutiva, e cerca de 40 % delas engravidam mesmo após saberem que são soropositivas. A gestação não parece acelerar o curso normal da doença, mas parece haver maior risco de complicações infecciosas durante a gestação. O risco de transmissão vertical é de 20 a 30%. Essa transmissão vertical é responsável por cerca de 99% dos casos de HIV em crianças. A transmissão à criança pode ocorrer durante a gravidez, durante o trabalho de parto ou no período pós-natal, através do leite. Essa transmissão vertical é mais comum em mulheres que adquiriram o HIV durante a gestação, quando a infecção é sintomática ou quando o parto é prematuro. 

TRATAMENTO: Após a introdução do tratamento específico, torna-se necessário a monitoração da eficácia da terapêutica, realizada pela avaliação da quantidade de células com competência imunológica e da quantidade de vírus presentes. No caso, da infecção congênita, a incidência de transmissão vertical pode ser reduzida de 25% para 8% quando a terapia com AZT é iniciada durante a gestação e mantida até seis semanas após o parto. 

PROGNÓSTICO: O prognóstico dos indivíduos infectados pelo HIV é variável. Os adultos podem ser divididos em progressores rápidos (desenvolvem a doença em 5 anos) e progressores lentos ou não-progressores (desenvolvem a doença no período de 10 a 20 anos após a infecção). Em geral, as crianças apresentam evolução mais rápida da doença. Um importante avanço foi alcançado quando os testes de carga viral (quantificação das partículas virais) tornaram-se disponíveis, revolucionando a compreensão do comportamento do HIV e auxiliando a definir novos métodos de terapia. 

REFERÊNCIAS:
American Academy of Pediatrics, Comissão para AIDS em Pediatria. Avaliação e Tratamento Médico das Crianças Expostas ao HIV. Pediatrics, 1(10): 791-805, 1997. 

Barbosa AFT, Machado DM e Succi RCM. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida na Criança. Aspectos da patogênese, marcadores, prognóstico e tratamento. Jornal de Pediatria, 75 (supl 1): S3-S8, 1999. 

Ferreira AW e Ávila, S. L. Diagnóstico Laboratorial das Principais Doenças Infecciosas e Auto-Imunes. Afiliada. 1ª ed., p.50-55, 1996



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