TESTE DO PEZINHO Teste do Pezinho CTN


Determinações: IRT 

NOME: Fibrose cística (FC), também conhecida como fibrose cística do pâncreas ou mucoviscidose, devido ao aspecto espesso e viscoso das secreções. 

CONCEITO: Doença genética que ocorre em indivíduos que são homozigotos ou duplo heterozigotos para mutações no gene que codifica a proteína responsável pelo transporte de cloro através dos epitélios celulares, conhecida como CFRT. 


IDADE DE APARECIMENTO DOS SINTOMAS: Manifesta-se nos primeiros meses, através de infecções recorrentes e perda de peso, mas geralmente só é diagnosticada clinicamente após o primeiro ano de vida. 


SINTOMAS CLÍNICOS: A FC compromete múltiplos órgãos, é caracterizada por apresentar diversos transtornos clínicos, tais como doença pulmonar obstrutiva crônica e má absorção intestinal, devido à insuficiência pancreática exócrina. A sintomatologia da fibrose cística decorre principalmente da excessiva viscosidade das secreções. A FC afeta principalmente os pulmões e o pâncreas. O alojamento de secreções espessas no pulmão obstrui a passagem de ar e retém bactérias, facilitando, assim, a ocorrência de infecções respiratórias. Em relação ao pâncreas, essas secreções obstruem a liberação das enzimas pancreáticas e prejudicam o processo digestivo. A ausência de ductos finos, como os vasos deferentes, é responsável pela infertilidade, que ocorre em 95% dos homens afetados pela doença. Ocasionalmente, as mulheres se tornam inférteis devido a um denso tampão de muco, capaz de obstruir a entrada do espermatozóide no útero. 


ETIOLOGIA: Doença genética herdada de modo autossômico recessivo, devido à presença de uma única ou de diferentes mutações em um gene localizado no braço longo do cromossomo 7. A mutação mais comum é uma deleção de 3 pares de bases no exon 10 (conhecida como DF508), identificada em aproximadamente 50% dos alelos dos indivíduos com FC. 


PATOGÊNESE: A mutação genética causa deficiência na síntese da proteína CFTR, ocasionando um distúrbio no transporte de cloro através dos epitélios e um aporte compensatório de sódio para manter a eletroneutralidade, com conseqüente influxo de água. Isso provoca uma desidratação da superfície celular, levando à formação de um muco espesso que irá causar processos obstrutivos, particularmente no pâncreas e nos pulmões. 

DIAGNÓSTICO: O teste clássico para a detecção de FC é a dosagem de eletrólitos (cloreto e sódio) no suor, que se encontram elevados nos pacientes afetados pela doença. Este teste é realizado geralmente com sudorese induzida por pilocarpina, porém os resultados são confiáveis somente após o segundo mês de vida. A dosagem da tripsina imunorreativa (IRT) pode ser realizada em gota de sangue colhida em papel filtro e tem sido utilizada para a triagem da FC. A IRT está aumentada no sangue devido à obstrução pancreática. Nos casos em que a IRT se apresentar aumentada, o resultado deve ser confirmado por outros testes, como a análise molecular do DNA e a dosagem de eletrólitos no suor. A tripsinemia deve ser interpretada com cautela, uma vez que os níveis de IRT decrescem com a idade, mesmo em pacientes afetados, podendo-se obter resultados normais a partir de um mês de vida. Os valores se encontram aumentados em duas a cinco vezes no recém-nascido com FC durante as primeiras quatro semanas de vida, mas um teste negativo após este período deixa de ser informativo. Portanto, recomenda-se a realização do Teste do Pezinho, o mais rapidamente possível a partir do 3° dia de vida. 

FREQUÊNCIA CTN: 1/ 3.754 

PREVENÇÃO: A qualidade de vida e o tempo de sobrevida dos pacientes com FC têm melhorado consideravelmente nos últimos anos. Sabe-se que esta melhora está relacionada a um tratamento precoce, reforçando a importância da triagem neonatal para diagnosticar a doença ainda nos primeiros dias de vida.

DETECÇÃO DE PORTADORES: O indivíduo portador de uma mutação no gene da FC é assintomático. A detecção do heterozigoto só é possível através da análise molecular do gene, que pode ser realizada através da análise de mutações no DNA utilizando-se o método conhecido como Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). 

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL: O diagnóstico pré-natal da fibrose cística pode ser realizado através de técnicas de biologia molecular em células cultivadas do líquido amniótico ou vilosidades coriônicas. A FC também pode ser suspeitada ainda na gestação quando o resultado da ultra-sonografia apresentar alguma massa ou rolha meconial, geralmente situadas no quadrante inferior do abdômem fetal. Porém, apenas cerca de 10% dos afetados por FC apresentarão íleo meconial, e nem todos os casos de íleo meconial têm como causa a FC. Netes casos, é comum o teste para IRT apresentar resultados normais.



TRATAMENTO: A FC ainda não tem cura, mas diversas medidas terapêuticas têm melhorado a qualidade e a sobrevida dos pacientes fibróticos. O tratamento da FC pode ser realizado através de: 

# DRENAGEM POSTURAL COM PERCUSSÃO DO TÓRAX (tapotagem): Batimentos suaves e rápidos nas costas da criança, auxiliando a eliminar o muco espesso e secreções.
# DIETAS: Baseiam-se na reposição oral de enzimas pancreáticas, considerando as necessidades da faixa etária para um crescimento e desenvolvimento normais.
# TERAPÊUTICA INALATÓRIA: Baseia-se na administração de antibióticos, mucolíticos e expectorantes.
# PROFILAXIA COM ANTIBIÓTICOS: Administração periódica de antibióticos para esterilizar a flora pulmonar e assim previnir as infecções.
# TERAPIA GÊNICA: Consiste em substituir o gene afetado por sua seqüência normal (ainda em fase experimental).

PROGNÓSTICO: A expectativa de vida dos pacientes com FC tem melhorado devido a um diagnóstico mais precoce e à imediata instituição do tratamento. 




REFERÊNCIAS:

1.Collins, F. C. Cystic Fibrosis: Molecular Biology and Therapeutic Implications. Science; 256: 774-779.1992.

2. Welsh, M. J., Smith, A. E. Cystic Fibrosis: The genetic defects underlying this lethal disease have now been shown to eliminate os hobble a critical channel through wich a constituent of sault entersand leaves cells. Scientific American; 273(6):36-43. 1995.

3. Welsh, M. J.; Tsui, L. C.; Boat, T. F.; Beaudet, A. L. Cystic fibrosis. In: Scriver, C. R.; Beaudet, A. L.; Sly, W .S.; Vale, D. eds. The Metabolic and Molecular Basis of Inherited Disease, McGraw Hill, New York, 7th ed., 1995.

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