TESTE DO PEZINHO Teste do Pezinho CTN


Determinação: Atividade da Biotinidase 

NOME: Deficiência de biotinidase, também conhecida como "deficiência múltipla de carboxilases - início tardio". 

CONCEITO: É uma doença causada pela deficiência (parcial ou total) da enzima que libera dos alimentos e de proteínas orgânicas a biotina (ou vitamina H). A biotina é um cofator essencial para a atividade de diversas enzimas com função de carboxilases. 

IDADE DE APARECIMENTO DOS SINTOMAS: Pode variar de 1 semana a 2 anos, com média em geral ao redor dos 5 meses. Já foram, no entanto, descritos pacientes que iniciaram os sintomas ao redor dos 10 anos. 

SINTOMAS CLÍNICOS: Os sintomas clínicos mais comuns são convulsões, hipotonia, ataxia, problemas respiratórios, atrofia óptica, retardo mental, perda auditiva sensorial, alopécia e erupção cutânea. Existe grande variabilidade de manifestação clínica, sendo que as deficiências parciais são de diagnóstico difícil a partir dos sintomas. 

COMPLICAÇÕES: A principal complicação da deficiência de biotinidase não tratada é o retardo mental. Estes pacientes também podem apresentar uma função imunológica anormal, que leva a infecções de repetição. Também já foram descritos pacientes com perda da visão, e outros que evoluíram para paraparesia espástica. 

ETIOLOGIA: A deficiência de biotinidase é um distúrbio herdado de modo autossômico recessivo, causado por mutações no gene que codifica a enzima. 

PATOGÊNESE: A função da biotinidase é liberar dos alimentos e das proteínas endógenas a biotina ligada à proteína ou aos peptídeos. A biotina tem a função de ativar enzimas, ou seja, é uma coenzima com propriedade de transportar grupos carboxílicos (-COOH), importantes nas reações de carboxilação. As enzimas biotina-dependentes recebem o nome genérico de carboxilases. Para se tornarem ativas, necessitam de ligação com a biotina, sendo conhecidas como holocarboxilases. São elas: acetil-CoA carboxilase, piruvato carboxilase, propionil-CoA carboxilase e ß-metilcrotonil-CoA carboxilase. Como cofatores dessas enzimas, a biotina está envolvida nos processos de síntese de ácidos graxos, gliconeogênese, e degradação dos aminoácidos. A deficiência de uma enzima envolvida na síntese das 4 carboxilases (denominada deficiência de holocarboxilase sintetase ou deficiência múltipla de carboxilases) resulta em cetose, acidose láctica, hiperamonemia e hipoglicemia, podendo levar ao coma e à morte se não tratada apropriadamente. 


DIAGNÓSTICO: Os métodos que identificam os afetados pela deficiência de biotinidase são baseados na determinação da atividade da enzima no soro. 

FREQUÊNCIA CTN: 1/ 9.066 

PREVENÇÃO: O diagnóstico precoce (através da triagem neonatal) e o tratamento adequado evitam o aparecimento dos sintomas. 

DETECÇÃO DE PORTADORES: A detecção de portadores é possível em quase todos os casos, já que estes indivíduos costumam apresentar atividade enzimática em um nível intermediário entre o normal e o de afetados. 

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL: É possível de ser realizado medindo-se a atividade da enzima, tanto em vilosidades coriônicas como em células cultivadas do líquido amniótico. 

TRATAMENTO: Consiste na administração oral de doses farmacológicas de biotina, na sua forma livre. A dose recomendada varia entre 5 e 20 mg por dia, de acordo com cada caso, em dose diária e por tempo indeterminado.

PROGNÓSTICO: As conseqüências clínicas da deficiência da biotinidase são evitadas e podem mesmo ser revertidas pelo tratamento. Os sintomas neurológicos, assim como a perda auditiva, problemas oftalmológicos e retardo mental não são revertidos totalmente quando o tratamento é instaurado após o aparecimento dos mesmos. Quando seguidas as medidas recomendadas, o tratamento é eficiente, previne as manifestações clínicas da doença e o prognóstico é muito bom. 

OBSERVAÇÕES: Quando a deficiência de biotinidase é suspeitada através da análise dos ácidos orgânicos na urina, é importante fazer o diagnóstico diferencial com a deficiência da holocarboxilase sintetase (situação na qual a biotinidase apresenta atividade normal), cujo tratamento, prognóstico e diagnóstico pré-natal são diversos. 


REFERÊNCIAS: 

1. Levy, H. L.; Warner-Rogers, J.; Waisbren, S. E. Cognitive function in early trated biotinidase deficiency: follow-up of children detected by newborn screening. Screening, 4: 125-130, 1995.

2. Wolf, B. Disorders of Biotin Metabolism. In: Scriver, C. R.; Beaudet, A. L.; Sly, W. S.; Vale, D., eds. The Metabolic and Molecular Bases of Inherited Diseases, McGraw Hill, New York, 7th ed., 1995.

3. Wolf, B.; Pomponio, R. J.; Hymes, J.; Pandya, A.; Landa, B.; Melone, P.; Javaheri, R.; Mardach, R.; Morton, S. W.; Meyers, G. A.; Reynolds, T.; Buck, G.; Nance, W. E. Prenatal diagnosis of heterozygosity for biotinidase deficiency by enzymatic and molecular analyses. Prenatal Diagnosis, 18: 117-122, 1998.

4. Wolf, B. Worlwide survey of neonatal screening for biotinidase deficiency. Journal of Inherited Metabolic Diseases, 14:923, 1991.

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