TESTE DO PEZINHO Teste do Pezinho CTN


Determinação: IgM anti-Toxoplasma gondii 

NOME: Toxoplasmose Congênita (TC). 

CONCEITO: É uma infecção causada por um parasita intracelular, o protozoário Toxoplasma gondii. A toxoplasmose pode ser congênita ou adquirida. Em adultos é assintomática em 80% a 90% dos casos. No entanto, quando a mulher adquire a infecção durante a gestação a doença pode ser transmitda ao feto, que é bastante sensível ao protozoário. A severidade da infecção fetal é mais pronunciada quando a infecção materna é adquirida durante o primeiro trimestre.

IDADE DE APARECIMENTO DOS SINTOMAS: A maioria dos recém-nascidos infectados não apresenta sintomas ao nascimento, mas sérias manifestações clínicas podem se tornar evidentes (lesões de retina, calcificação intracraniana) durante o curso de uma infecção não tratada. 

SINTOMAS CLÍNICOS: As manifestações da TC são variáveis, dependendo muito do momento da gestação (idade gestacional) no qual a mãe foi infectada. A infecção envolve principalmente o sistema nervoso e os tecidos muscular e conjuntivo. Dentre os principais sinais e sintomas destacam-se calcificações intracranianas, alterações no SNC, microcefalia, hemiplegia, tonicidade muscular anormal e coriorretinite ativa (seqüela mais comum, sendo que o risco de novas complicações na retina permanece por alguns anos). Em média, 10 a 15% das crianças infectadas durante a gestação apresentam sintomas neonatais (desenvolvem infecção generalizada). Nos demais casos as crianças infectadas parecem saudáveis ao nascer, mas podem desenvolver coriorretinites ou sintomas neurológicos mais tardiamente. Seqüelas a longo prazo podem incluir retardo mental, paralisia cerebral, convulsões, surdez e cegueira. 

ETIOLOGIA: O agente causador da toxoplasmose é o protozoário Toxoplasma gondii, que apresenta-se sob a forma de cistos, oocistos e taquizoítos. Seu ciclo de vida é curto e envolve um único hospedeiro. Esta infecção é bastante comum e afeta aves e mamíferos. 

PATOGÊNESE: O agente patogênico normalmente é transmitido através da ingestão de cistos parenterais a partir de alimentos crus ou mal cozidos que estejam infectados, vegetais e frutas mal lavadas, manuseio do solo ou das fezes de animais domésticos (especialmente cães e gatos) contendo os oocistos. Os taquizoítos, agentes da fase aguda, espalham-se pela corrente sangüínea. A TC pode ser transmitida da mãe para o feto através da placenta. 

DIAGNÓSTICO: O diagnóstico da infecção congênita por Toxoplasma gondii em recém-nascidos é feito a partir da triagem neonatal pela pesquisa de anticorpos específicos da classe IgM. Em casos positivos, realiza-se o teste sorológico utilizando-se imunoensaios para anticorpos específicos IgG e IgM no soro materno e do neonato. Altos níveis de IgG específica anti-Toxoplasma gondii podem estar presentes no sangue de recém-nascidos mesmo quando não há infecção. Para isto, é necessário que a gestante apresente estes anticorpos na circulação devido a um prévio contato com o agente infeccioso, anterior à gestação e invariavelmente conferindo imunidade à gestante. Os anticorpos da classe IgG atravessam a placenta e podem ser identificados no soro do recém-nascido, não sendo possível, a partir de uma única análise, garantir que houve transmissão do Toxoplasma gondii. Os anticorpos de classe IgM não atravessam a placenta, e sua presença em recém-nascidos indica infecção primária. Em muitos pacientes com infecção primária estes títulos podem permanecer detectáveis por um ano ou mais. Há um consenso entre os especialistas de que uma mulher infectada antes da concepção, e com imunidade ao Toxoplasma já adquirida e comprovada pela presença de IgG específica, não transmitirá a infecção ao feto em uma gestação normal. 

FREQUÊNCIA CTN: 1/ 1.680 

PREVENÇÃO: A infecção é prevenida evitando-se a ingestão e o contato com cistos ou oocistos, através das seguintes medidas (especial cuidado deve ser tomado em áreas de alta incidência de toxoplasmose): 
1 -As carnes devem ser bem cozidas;
2 - Ao manusear carnes cruas, evitar tocar na boca e nos olhos e, após o manuseio, lavar cuidadosamente as mãos e a superfície usada;
3 - Evitar ovos crus ou mal cozidos; 
4 - Deve-se prevenir o acesso de insetos aos gêneros alimentícios; 
5 - Frutas e vegetais devem ser lavados e, se possível, descascados; 
6 - Usar luvas em trabalhos de jardinagem; 
7 - Evitar possíveis contatos com fezes de gatos e cães e desinfetar os locais utilizados por esses animais. 

Alguns países realizam programas de triagem com o objetivo de identificar gestantes soropositivas. As gestantes realizam testes imunológicos no período pré-natal e, mensalmente, durante a gravidez. Desta forma, a infecção pode ser detectada e a terapia apropriada pode ser instituída. 

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL: O diagnóstico pré-natal de infecção fetal em gestantes com infecção primária por Toxoplasma gondii pode ser feito por análise do líquido amniótico, vilosidades coriônicas ou amostras de sangue fetal, pesquisando-se a presença do DNA do parasita, pelo isolamento do parasita ou pela identificação dos anticorpos específicos das classes IgM e IgA. Exames de ultrassom de alta resolução podem ser úteis na identificação de manifestações severas no feto. 

TRATAMENTO: O manejo da toxoplasmose na gestação gera controvérsias. Alguns autores recomendam o tratamento da infecção primária quando esta for diagnosticada em gestantes, outros recomendam somente em casos com infecção fetal comprovada. O tratamento para gestantes infectadas reduz a taxa de mortalidade e a severidade da doença em recém-nascidos. É feito com medicações como a pirimetamina, a sulfadiazina e a leucovirina (ácido folínico). A espiramicina, devido à sua baixa toxicidade e às altas concentrações obtidas na placenta, e as sulfonamidas, também têm sido empregadas no tratamento, sendo bem tolerado pela maioria das gestantes. Durante a gestação, especialmente em casos nos quais a terapia é iniciada durante os dois primeiros trimestres, o tratamento exige cuidados devido à toxicidade das drogas utilizadas e o seu efeito sobre o feto. Os pacientes devem realizar exames sorológicos, oftalmológicos e neurológicos periodicamente, após o término do tratamento. Alguns podem apresentar anemia e/ou neutropenia. Podem ocorrer efeitos colaterais como toxicidades hepática, hematológica e renal, entre outros. 

PROGNÓSTICO: Embora não reverta as eventuais lesões já instaladas no neonato, o tratamento seguramente impede a progressão da doença e diminui o número e a gravidade das seqüelas, razão pela qual é sempre administrado nos casos diagnosticados. 

REFERÊNCIAS:
1. Eaton, R. B.; Lynfield, R.; Hsu, H.W.; Grady, G. F. Newborn screening for congenital toxoplasmosis. Oral presentation on the 13th National Neonatal Screening Symposium, March 1-4, San Diego, California, USA. 1998. 

2. Guerina, N.G.; Hsu, H.W.; Meissner, H. C.; Maguire, R.; Lynfield, B.; Stechenberg, B.; Abroms, I.; Pasternack, M. S.; Hoff, R.; Eaton, R. B.; Grady, G. R. Neonatal serologic screening and early treatment for congenital Toxoplasma gondii infection. The New England Journal of Medicine, 330(26):1858-1863. 1994. 

3. Neto, E. C. One year experience on neonatal screening for congenital toxoplasmosis in South Brazil. Proceedings of the 3rd International Neonatal Screening Symposium, October 21-24, Boston, Massachusetts, USA, p.68-70. 1996.

Voltar